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EVOLUÇÃO DO PAPEL DA MULHER NA SOCIEDADE

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EVOLUÇÃO DO PAPEL DA MULHER NA SOCIEDADE


Houve sempre ao longo dos tempos grandes discursos, teorias e visões acerca do corpo da mulher, principalmente devido à sua capacidade de reprodução. Esta razão terá estado na base de todas as tentativas de compreensão e descrição da "natureza feminina". No entanto, o feminino é desvalorizado, e já em Platão como em Aristóteles a mulher, em relação ao homem, é vista como "um desvio, como uma relação imperfeita". No pensamento grego, que condicionou a cultura ocidental, o homem é o criador da ordem e da lei, enquanto a mulher está associada ao desejo e à desordem, um ser inferior pela sua natureza. "É sobre estas clivagens simbólicas que se vai fundamentar a própria sociedade" desigual, mas cuja desigualdade está baseada numa presumível diferença de naturezas, atribuindo-se à mulher qualidades negativas que a impossibilitam de participar ativamente de forma igual, na sociedade onde vive.


Assim, da "inferioridade sexual e intelectual da mulher, do seu papel natural na reprodução da espécie e no cuidado dos filhos decorre naturalmente uma definição de função e de papel (...) a mulher é essencialmente esposa e mãe". Os homens, enquanto seres naturais mantêm com a natureza uma relação mediatizada, as mulheres passam a estar intimamente relacionadas com ela, estabelecendo-se a ligação que perdurará até aos dias de hoje da relação simbiótica de mulher – natureza.


Deste modo, nascer mulher sempre significou mais deveres e menos direitos face ao homem. Desde a antiguidade clássica que a luta pela igualdade de oportunidades se tem feito sentir. Numas épocas sofreu avanços, noutras retrocessos. Em pleno séc. XXI, as Nações Unidas reconhecem que em nenhum país do Mundo o "sexo fraco" é igual ao homem, dito forte; ao contrário a própria existência de um Dia da mulher mais não é do que a pretensão de mostrar que ainda há muito a fazer na obtenção da igualdade plena entre todos os Homens, considerados com H maiúsculo. Sim, porque não são as diferenças físicas que podem determinar a existência de fossos enormes entre seres da mesma raça. Esta tem sido a luta de muitas mulheres. Algumas morreram a combater o que consideravam justo. Outras foram presas. Outras ainda, "mal vistas" pela sociedade machista, que entenderam combater nos seus pressupostos básicos e fundamentais.


Não há nenhum país onde não esteja consagrada, na lei, a igualdade entre homens e mulheres. O direito ao voto é atribuído a todos os cidadãos e a candidatura das mulheres a cargos públicos e políticos realiza-se em termos idênticos à dos homens. No entanto, se na lei tudo parece igual, na prática quotidiana e nas vivências sociais, as diferenças ainda são muito acentuadas.


Com a chegada da mulher a lugares de topo na administração, pública e privada, o tempo disponível para tarefas extra-profissão torna-se idêntico ao dos homens, ou até menor, na medida em que uma nova realidade social parece exigir esforço redobrado da mulher, para provar que merece ser protagonista da alteração da "ordem das coisas". Deste modo, o tempo para os filhos deixa de ser o de outrora e a lide doméstica, tradicionalmente entregue a si, passa a ter um tempo muito mais reduzido.


Fazer-se respeitar no local de trabalho, sobretudo quando o cargo que se ocupa é de chefia, leva muitas executivas de topo a desesperar. Sociologicamente, as empresas ainda não estão preparadas para acolher, da melhor forma, esta nova realidade. Qualquer "passo em falso", qualquer decisão menos consensual, é imediatamente notada. O homem pode errar, mas a mulher não. Se o fizer, é logo contestada. É exatamente por este motivo que muitas procuram adotar comportamentos masculinos no exercício das suas funções.

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