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IGUALDADE EM PORTUGAL

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DESIGUALDADES NO TRABALHO FAMILIAR

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DESIGUALDADES NO TRABALHO FAMILIAR


Os estudos sobre a organização familiar mostram, de forma consistente, que as práticas familiares tradicionais não mudaram significativamente apesar do ingresso em massa das mulheres no mundo do trabalho: as mulheres, com efeito, continuam a contribuir duas a três vezes mais do que os homens para as tarefas domésticas.


Existem, como é óbvio, variações inter-individuais na divisão das tarefas, que provêm, nomeadamente, da idade, da raça, da educação ou da estrutura familiar. Por exemplo, foi evidenciada uma maior discrepância no contributo dos cônjuges quando as mulheres não têm emprego do que quando têm, ou quando os parceiros são casados do que quando não o são.


Alguns autores consideram que as mulheres consagram menos tempo às atividades domésticas na atualidade do que no passado, realçando que isto não se deve a uma maior participação dos maridos, mas sim a uma redução, pelas próprias mulheres, do tempo que dedicam a estas atividades. Esta diminuição do tempo de trabalho doméstico por parte das mulheres é, aliás, questionada por outros autores que defendem que o tempo que era anteriormente despendido em tarefas como fazer conservas ou lavar a roupa à mão é utilizado, hoje em dia, noutras tarefas ou na resposta a exigências maiores (lavar a roupa mais frequentemente, passar mais a ferro, confecionar refeições mais sofisticadas, etc.)


As mulheres não assumem apenas uma maior parte do trabalho doméstico, mas executam quase inteiramente as tarefas “tipicamente femininas“, como a preparação das refeições ou o cuidado da roupa, tarefas que consomem mais tempo e precisam de ser realizadas com uma maior regularidade do que as tarefas “tipicamente masculinas, como as reparações de objetos ou a manutenção do carro. As mulheres, tipicamente, dedicam também mais tempo do que os homens ao "trabalho emocional", estando mais dispostas a exprimir preocupação ou a mostrar afeto aos outros, e encarregam-se geralmente do "trabalho relacional", necessário para manter as relações na rede familiar.


As mulheres assumem, ainda, a maior parte do trabalho parental, considerando-se – e sendo consideradas – como as principais responsáveis pelos filhos. Apesar de serem cada vez mais as mulheres que exercem uma atividade profissional, mesmo quando são mães de crianças pequenas, elas continuam a executar mais de metade das tarefas parentais e a estar mais em contacto com os filhos do que os pais. Na atualidade, tem-se mais expectativas do que no passado de que os homens cuidem dos filhos e este facto reflete-se num aumento do tempo que os pais dedicam às crianças. Contudo, os pais envolvem-se sobretudo em atividades interativas com os filhos enquanto as mães continuam a encarregar-se das tarefas relacionadas com a limpeza e a alimentação. Dado que os homens se mostram pouco desejosos de participar nas tarefas domésticas, a distribuição do trabalho familiar torna-se ainda mais desigual depois do nascimento dum primeiro filho. A distribuição desigual das tarefas familiares entre os cônjuges contribui largamente para a manutenção das posições assimétricas dos homens e das mulheres na sociedade em geral, o que explica a extensiva investigação realizada sobre a organização familiar. Esta investigação procura perceber como os cônjuges conseguem conciliar cognitivamente as suas atitudes e os seus comportamentos contraditórios assim como as razões pelas quais as mudanças no trabalho remunerado não foram acompanhadas de mudanças semelhantes no trabalho não remunerado.

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